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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Patentes e banimentos: Samsung e Apple continuam brigando na justiça americana



A Apple continua tentando proibir as vendas do Samsung Galaxy Tab no mercado norte-americano. Depois de uma série de acusações por conta de patentes que estariam sendo infringidas pela empresa sul-coreana, a Apple conseguiu uma aliada de peso na luta para banir o Galaxy Tab: uma juíza que entende que o aparelho da Samsung realmente desrespeita algumas patentes.
Segundo o site FOSS Patents, a Samsung possui uma prova contundente de que nunca copiou nenhum padrão da Apple. Trata-se da tecnologia 4G, que existe nos tablets da coreana há algum tempo e faria com que ele não concorresse com o tablet da Maçã. Como o iPad só passou a possuir suporte para as conexões na terceira geração e ela foi lançada após o início das ações, isso seria um ponto favorável à Samsung.
Por outro lado, o mesmo FOSS Patents afirma que este argumento não deve ter muito peso, visto que um tablet que consegue se conectar às redes 4G, faz o mesmo com as redes 3G. Logo, o Galaxy Tab seria um tablet concorrente do iPad 2 e poderia ser banido, conforme pede a Apple.

Outra tentativa da Samsung diz respeito às operadoras de telefonia, que oferecem os planos 4G para os consumidores. Com o banimento do Galaxy Tab no mercado norte-americano, muitas delas teriam problemas com estoques e também nas possibilidades de oferecer as conexões para os clientes. Isso causaria prejuízos claros para elas.

INPI não dará patentes para software no Brasil, diz diretor do instituto



O INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial)abriu uma consulta pública sobre patentes que envolvem programas de computador. A medida atraiu diversas críticas, por supostamente abrir espaço para criar patentes de software no Brasil. Veremos por aqui disputas de patente de software, como nos EUA? Não segundo Julio Castelo Branco, diretor de patentes do INPI.
Já argumentamos que software não deveria ser patenteado, e lembramos como isto é basicamente restrito aos EUA – a União Europeia, assim como o Brasil, proíbe a concessão de patentes de software.
Contra a consulta pública do INPI, se manifestaram entidades como a Software Livre Brasil, o CCSL-USP (Centro de Competência em Software Livre da Universidade de São Paulo), e até mesmo o PT (Partido dos Trabalhadores) e o político José Dirceu. Uma análise recente da USP e FGV/RJ condena a consulta pública, e entende que as diretrizes do INPI pretendem introduzir a patente de software no Brasil.
Nesta entrevista, Julio Castelo Branco deixa claro que o INPI não vai criar patentes de software no Brasil: “nem passa por discussão hoje esse tipo de problema no INPI”. A reação inicial negativa foi, segundo ele, “de forma precipitada e desinformada”. A consulta pública se trata apenas de inovações implementadas por programas de computador, onde o equipamento com software inovador recebe a patente – o software, não. O objetivo, diz Julio, “é legitimar uma ação que antes era de conhecimento exclusivo do INPI”, e é a primeira de várias: até mesmo as diretrizes gerais do INPI serão colocadas para discussão.
Leia a seguir para saber por que o INPI pode guardar código-fonte de software, qual o impacto da consulta pública e como serão os próximos passos da análise de patentes no Brasil.
*Algumas frases foram adaptadas/editadas para fins de clareza no texto.


Como funcionam hoje as patentes de software no Brasil? Se eu fizer um programa, posso patenteá-lo no INPI?

O INPI não dá patente para software. Patente para software é proibido por lei. A premissa básica do INPI é seguir o que está estabelecido em lei. Nós somos um órgão executivo e seguimos o que está na Lei da Propriedade Industrial. Então a primeira informação que não é correta é: que o INPI dá patente para software. Não dá.
Nós estamos com a diretriz de consulta pública? Sim, mas essa diretriz é para patentes implementadas por programas de computador. Ela não protege o software: protege a invenção com um software embarcado. Então se eu coloco um sistema inteligente em uma máquina, e essa máquina faz algo inovador – novo, inventivo e com aplicação industrial – a patente é concedida não para o software, mas para o equipamento.
Esse procedimento é o mesmo que nós sempre fizemos dentro do INPI. Qual era o problema? O INPI não deixava pública essa diretriz de exame. Nós precisamos mostrar para a sociedade como examinamos as patentes dessa área, não só por questões internas, mas para dar uma segurança ao depositante do INPI. A ideia é legitimar uma ação que antes era de conhecimento exclusivo do INPI.

Então a ideia não é mudar qualquer procedimento, é apenas deixar claro para a sociedade o que vocês vinham fazendo até então?

Perfeitamente. Embora o INPI tenha a prerrogativa de sugerir mudanças na lei, o objetivo da consulta pública não é este. Nós não temos pretensão hoje, no INPI, de colocar patentes para software. Mas você precisa estar ciente de que, no INPI, existe o registro do software: é um repositório da informação para qualquer usuário externo que queira a proteção do seu software, para questões ou disputas judiciais. Você vem ao INPI com o envelope lacrado e nos deixa como depositário da sua informação.

Isso quer dizer que você deixa o código-fonte…

…o código-fonte nas mãos do INPI. E em questões judiciais, você pode recorrer ao INPI para provar a algum juiz se alguém infringiu seu direito. Você tem o respaldo da informação deixada com o INPI, e essa informação é suficiente para mostrar que alguém está infringindo seu direito.
No caso, é o direito autoral, e não de patente?
Perfeitamente. E no caso do registro, não existe exame de forma alguma: o INPI recebe essa informação e apenas guarda.
Então não há patentes de software no Brasil, e nem vai haver depois da consulta pública?
A gente está observando no mundo duas ações: uma relacionada a patentes voltadas especificamente para produtos e processos, e outras relacionadas para software. No Brasil, esta segunda proteção não ocorre.

Mas várias entidades de software livre se manifestaram contra essa consulta. O PT criticou, José Dirceu criticou. Por quê?

Na minha visão, foi de forma precipitada e desinformada. No momento em que veio a crítica do PT, do José Dirceu no blog dele, e dos outros atores do governo, o INPI elaborou um documento, uma nota técnica, e o passamos para quem iniciou o processo de discussão. Informamos que o INPI não estava fazendo nada diferente do que vinha fazendo, e que não se tratava de patentes de software, e sim patentes implementadas por programas de computador, o que é diferente. Esclarecemos este problema.
A reação do software livre é muito mais de movimento, com medo da limitação ou da possibilidade do INPI vir a dar patentes na área de software, algo que nos não aventamos neste momento. Pode ser que em algum futuro muito longínquo, em algum outro momento do país, seja necessário fazer isto. Mas nem passa por discussão hoje esse tipo de problema no INPI. O INPI não protege software porque, para fazer isso, teria que se alterada a Lei de Propriedade Industrial, que especificamente proíbe os programas de computador de serem patenteados.

O documento que o INPI enviou ao governo é público, podemos ter acesso?

Não, É documento de governo, e eu não tenho autorização de lhe passar. Mas esclareceu ao governo o que o INPI estava fazendo. Então isso foi pacificado.
Quanto ao software livre, esta foi uma preocupação deles mesmo sem ter conhecimento do conteúdo do documento. É muito mais filosófico do que realmente prático, discutindo os caminhos da proteção de software no mundo todo. E aí, obviamente, como o Brasil participa ativamente das discussões na Organização Mundial da Propriedade Intelectual em Genebra sobre essa área, sobre proteção e acesso ao conhecimento e informação, sobre transferência de tecnologia, eles reagiram em excesso por colocarmos esta diretriz para consulta pública.

A consulta pública muda algo no direito autoral de software?

Nós não cuidamos de direito autoral, é uma área fora do INPI. É o Ministério da Cultura que cuida do direito do autor. Aí é propriedade intelectual, não mais propriedade industrial – que trata de patentes, marcas e indicações geográficas. O registro de software é só a guarda no INPI, e não mais que isso.
E depois da consulta pública?
Foram dois meses de consulta para receber os comentários. Não temos a pretensão de assumir que os procedimentos que temos dentro do INPI são os mais adequados. Então poderiam vir comentários com ideias melhores do que as nossas. Assim poderemos utilizar o melhor procedimento na forma de analisar patentes dessa área.
Vamos colocar as diretrizes de modelos utilitários, biotecnologia e fármacos para consulta pública, e ao final também colocaremos as diretrizes gerais do INPI para consulta pública. O objetivo é deixar claro para a sociedade a forma como o INPI examina os pedidos de patente. Assim, quem vir ao INPI depositar um pedido de patente já terá uma expectativa do que o INPI vai lhe responder, a forma como o INPI procede, e o que ele precisa fazer para agilizar seu processo.

Nas próximas consultas, vai ser o mesmo procedimento? Abre uma consulta por 60 dias, acaba, abre outra?

Não sabemos se vamos esperar ou fazer de forma intercalada. Na verdade, nós temos uma pressa muito grande em reduzir o atraso no exame das patentes no INPI. Então vamos tomar ações cada vez mais agressivas para decidir cada vez mais rápido, e para deixar o ambiente da propriedade intelectual cada vez mais claro, a fim de dar segurança jurídica a todos que precisem, e de uma forma mais rápida. Estamos correndo contra o tempo para tomar medidas que mitiguem um pouco o atraso do exame de patentes no INPI.

Isso faz parte do plano 2011-2015 do INPI para acelerar a avaliação de patentes?

Faz. Na verdade é o planejamento estratégico 2012-2015, que está sendo redimensionado para 2012-2020. Estamos reajustando o planejamento para ter uma visão mais ampla de futuro, e para onde o INPI vai caminhar.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nokia busca aproveitar legado de patentes



 Desesperada para obter dinheiro até que as vendas de seus novos produtos acelerem, a Nokia está buscado cada da vez mais por royalties junto a rivais que utilizam patentes da empresa como base para suas tecnologias.
A Nokia já fatura 500 milhões de euros (647 milhões de dólares) anuais com royalties sobre suas patentes em áreas importantes da telefonia móvel, e alguns analistas afirmam que aplicar seus direitos de patente de maneira mais determinada poderia elevar o faturamento da companhia em mais centenas de milhões de euros ao ano. Alternativamente, vendê-las poderia propiciar bilhões de euros.
De qualquer forma, em um momento no qual o futuro da empresa está ameaçado pela queda das vendas e a perda de mercado, as patentes da Nokia emergiram como ativos mais valiosos e estáveis da companhia em crise. Explorá-las plenamente pode ser crucial para sua sobrevivência em longo prazo.
"É algo que eles deveriam fazer. A única questão é: Por que esperaram tanto?", disse Alexander Poltorak, presidente-executivo da consultoria de patentes General Patent.
A Nokia já alertou a novatos do setor de celulares com os quais não tem acordos de licenciamento, afirmando que quer elevar sua receita com royalties. Na semana passada, abriu processos contra dois fabricantes de aparelhos equipados com o sistema Android, do Google.
A Nokia processou a HTC e a ViewSonic por violações de patentes de telefonia móvel e software, e é provável que outras usuárias do Android estejam entre os próximos alvos. Os analistas afirmam ser provável que ela aja em breve contra fabricantes chineses e indianos de celulares, e contra a Amazon.com, fabricante do Kindle.
"Os próximos alvos, em minha expectativa, devem ser a ZTE, Huawei e Micromax", disse o analista Tero Kuittinen, da consultoria finlandesa de telefonia móvel Alekstra.
A Nokia se recusou a comentar sobre outros possíveis alvos, mas o porta-voz Mark Durrant afirmou em e-mail que “ficou claro no press release da semana passada sobre os processos contra a HTC, RIM e Viewsonic que estamos tomando novas medidas, avançando além das patentes essenciais para outras patentes que não temos qualquer obrigação de licenciar".

ZTE, Huawei, Micromax e Amazon não estavam disponíveis para comentar.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Apple acusa Samsung de eliminar provas em disputa por patentes




Em mais um capítulo das diversas disputas entre Samsung e Apple, a empresa da Maçã está acusando a fabricante sul-coreana de destruir provas na guerra de patentes em curso entre as duas, exigindo que o tribunal pressione o júri a assumir que a Samsung temia ser processada.
Segundo a Apple, a Samsung supostamente "descuidou-se" com seu sistema de armazenamento de emails (onde estariam as provas que sumiram) e deveria ser "convenientemente culpada pela eliminação de grandes quantidades de relativas evidências, em flagrante desrespeito do dever de preservar todas as provas".


O clima esquenta


A alegação pode representar um duro golpe na defesa da Samsung, caso o tribunal concorde com as acusações da Apple. A atitude da empresa sul-coreana se enquadraria como "Espoliação de Provas" – quando se retém de forma dolosa ou negligente, esconde-se, altera ou destrói evidências relevantes em um processo legal.
Os advogados da Apple estão solicitando que a Samsung seja culpada por agir de má fé, por não cumprir com seu dever legal de preservar as provas relevantes. Se o júri considerar que a Samsung infringiu as patentes da Apple, o encobrimento de provas poderá ser visto como "intencional, deliberado e sem levar em conta os direitos da empresa".
A Samsung rejeitou as acusações e diz que pode convencer o tribunal que os argumentos da Apple são falsos. A empresa deve apresentar uma resposta oficial amanhã, dia 15 de maio. A audiência entre as duas companhias está marcada para o dia 7 de junho. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nokia está processando HTC e RIM por violarem 45 patentes


A Nokia diz que não queria processar, diz que preferia “evitar litígio”, mas processou: ela acusa HTC, RIM e Viewsonic de violarem, no total, 45 patentes de hardware e software. Será esta uma estratégia para conseguir uma grana extra?
Louise Pentland, chefe do departamento jurídico da Nokia, diz que não tinha jeito: teve que processar as três empresas porque elas usavam “nossas invenções e tecnologias proprietárias”. As patentes de hardware incluem antenas, rádios multimodais e gerenciamento de energia. No campo de software, estão as patentes de menus dinâmicos, multitarefa, app stores, criptografia e navegação, entre outras.
A Nokia revelou que, no trimestre passado, recebeu €430 milhões por licenciamento de patentes – parte disso vem do acordo extrajudicial com a Apple. Mesmo assim, a empresa está sangrando dinheiro: um prejuízo operacional de €1,3 bilhão nos últimos três meses. Mais royalties de patente poderiam significar mais fôlego para a Nokia implementar sua nova estratégia nos celulares, com S40 e Windows Phone (e Meltemi?). Vamos acompanhar.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Inventores da tecnologia Wi-Fi vencem batalha multimilionária de patentes


 

O CSRIO — órgão do governo australiano de pesquisa científica e industrial — venceu uma importante batalha de patentes nos Estados Unidos. Depois de provar que foi o responsável pelo desenvolvimento da tecnologia wireless, ou seja, a base dos sinais WiFi utilizados por computadores, smartphones e aparelhos com conexão à internet de todo o mundo, o órgão deve receber milhões de dólares devido às licenças e acordos com as empresas que fabricam e comercializam esses aparelhos.
A tecnologia foi inventada nos anos 90, e desde 2005 o órgão vem processando as empresas que utilizam a tecnologia sem licença. De acordo com uma notícia publicada pelo site Physorg.com, em 2009 os australianos receberam 212 milhões de dólares depois de vencer processos contra 14 empresas, e agora devem receber 230 milhões depois de realizar acordos com outras 23 companhias.

Como surgiu a tecnologia WLAN

Um time de inventores, liderados por John O’Sullivan, desenvolveu a tecnologia enquanto realizavam um estudo sobre radioastronomia. Eles tentavam solucionar um problema relacionado aos sinais de onda de radio, que sofriam distorções e eco ao encontrarem superfícies em ambientes fechados.
O problema foi solucionado com o desenvolvimento de um chip que transmitia os sinais enquanto diminuía a distorção e eco, levando os australianos a vencer a corrida contra empresas de comunicação de todo o mundo, que tentavam resolver o mesmo problema.
O ministro de ciências e pesquisa australiano, Chris Evans, afirmou que esta é uma importante batalha a ser vencida, pois a Austrália deve proteger a propriedade intelectual de seu país, e empresas vendendo bilhões de produtos devem pagar pela tecnologia que estão empregando.